3.06.2013
Zed Lepellin
Depois do "How the West was Won" os Zeppelin deviam ter sido proibidos de editar mais álbuns ao vivo. Ainda não recuperei da desilusão do "Celebration Day". Aguardo injecção valente do tal "How the West was Won", álbum de grande gabarito com os gajos a arranhar o metal.
Um mundo com sentido (sem jogo de palavras por favor)
A prova maior da minha ingenuidade é ter percebido há tão pouco tempo de que a política e respectivos modelos não são mais do que espelho de organizações de personalidade. Ideologia é, para todos os efeitos, perturbação de personalidade.
2.28.2013
Um cinema infantilóide
Joel Neto aponta, e bem, a infantilização do cinema que tem arrastado zombies incautos para um cinema vazio e cada vez mais longe de um entretenimento com um causa. Cinema tem sido sinónimo de dinheiro, óculos 3D e vácuo mental.
Com Moonrise Kingdom o espectro da infantilidade cinemática não desaparece por razões óbvias. No entanto, não deixa de ser irónico que apesar de protagonizado por crianças, seja mais maduro do que a maioria da escória que por aí anda com bonecada de super heróis e tal.
Com Moonrise Kingdom o espectro da infantilidade cinemática não desaparece por razões óbvias. No entanto, não deixa de ser irónico que apesar de protagonizado por crianças, seja mais maduro do que a maioria da escória que por aí anda com bonecada de super heróis e tal.
2.18.2013
Uma moral à tua medida é uma imoralidade
Haverá poucos assuntos tão debatidos quanto este. Mas é fácil e até a Bíblia explica: quando o fariseu dava graças a Deus por não ser pecador, Jesus apontou o publicano, humilde e consciente da sua imperfeição, como o mais valioso para a moral. Este último nem se atrevia a entrar no Templo para não chatear muito.
Assim encontro eu, mercê desta sempiterna crise, cada vez mais fariseus preparados para apontar as batidas e repetidas faltas do pobre português. A cunha, o favorzinho, a subserviência. A verdade é que cada vez mais, mercê desta malvada crise, vejo os mesmos fariseus adaptarem com uma naturalidade abjecta os padrões anteontem tão exigentes com o Relvas.
Pode ser uma espécie de cobardia assumir o lugar do publicano, mas nestas coisas da humanidade, de peito aberto só se for para o bem de todos. Quando é para armar ao pingarelho costuma ser revelador de fraqueza.
Assim encontro eu, mercê desta sempiterna crise, cada vez mais fariseus preparados para apontar as batidas e repetidas faltas do pobre português. A cunha, o favorzinho, a subserviência. A verdade é que cada vez mais, mercê desta malvada crise, vejo os mesmos fariseus adaptarem com uma naturalidade abjecta os padrões anteontem tão exigentes com o Relvas.
Pode ser uma espécie de cobardia assumir o lugar do publicano, mas nestas coisas da humanidade, de peito aberto só se for para o bem de todos. Quando é para armar ao pingarelho costuma ser revelador de fraqueza.
2.14.2013
1.25.2013
1.18.2013
Uma pertença
Talvez nunca me pudesse considerar Terceirense se não passasse um Inverno como este. Nunca como agora me senti confortavelmente afrontado na minha pequenez humana. No Sabugal é diferente. Para o rigor do frio, um casaco; para o raio que cai a 2 metros, o imponderável; para a chuva e a cheia, um imenso continente. Aqui, uma imbatível perenidade dos elementos que nos lembra de forma perversamente afável o nosso lugar. O nevoeiro que se mantém e contra o qual temos de conviver dias a fio; o vento agressivo que finge afeitar o mar mas ruge enquanto nos olha de soslaio pelas janelas tremeliques; o mar por todos os lados (é preciso dizer mais alguma coisa?).
12.06.2012
Não é fácil
Gerir a admiração. Admiro algumas pessoas e poucas sabem lidar com isso. A admiração não cessa, mas perde fulgor.
A admiração nunca implicou subserviência.
A admiração nunca implicou subserviência.
12.03.2012
Uma razão para ser cobarde
Racionalizar (nem me refiro ao mecanismo de defesa) não é a melhor saída. É a psicologia quem o defende. Por várias razões, sendo que redundando todas as razões numa, talvez "humanidade" seja a mais justa. Uma máquina pode contar e fazer estatísticas, conferir dados, apontar caminhos de sucesso, avaliar decisões certas na carreira. Quem chatear, quem não importunar, que botas lamber, são na sua essência, comportamentos maquinais dependentes directamente de avaliação de danos. Viver é muito mais do que isso e embora racionalidade não seja sinónimo de frieza, pode ser de cobardia.
Perscrutar um erro no comportamento de quem nos está próximo para poder racionalizá-lo e usá-lo a nosso favor é não só moralmente condenável, como asqueroso. Racionalizando, posso entender que há muitos filhos da puta no mundo e que tenho de aprender a viver com isso. Posso até entender que devia ter evitado cometer determinado erro. Mas isso não apaga que alguém próximo se aproveitou, ao invés de suportar, como aprendemos a fazer no grupo de amigos. Racionalizando outra vez, posso compreender a existência de problemas emocionais que enviesam em malvadez o comportamento das pessoas. Posso até, em auto-análise, integrar os meus próprios problemas nesta jogada. Mas isso não apaga a ausência de suporte, em momento titubeante, de alguém que, pelo contrário, se aproveitou da tal proximidade para colocar sal na ferida.
A compaixão, até a condescendência (de que falei aqui há tempos), precisam de coragem.
A cobardia analisa e debita o comportamento com menos danos para o umbiguinho sujinho de cotão e mortes morais.
O discurso dos grande homens, da existência de um código de conduta universal, de uma ética Queirosiana, enche a boca de uns quantos tontos que não conseguem sequer ser homens nas coisas comezinhas da vida. Porque é aí que se actua: nas coisas comezinhas. Com uma boa dose de irracionalidade, loucura, emoção, e de alea.
Irracionalizando: Esta (es) merda(s) também dá (ão)sal à existência.
Perscrutar um erro no comportamento de quem nos está próximo para poder racionalizá-lo e usá-lo a nosso favor é não só moralmente condenável, como asqueroso. Racionalizando, posso entender que há muitos filhos da puta no mundo e que tenho de aprender a viver com isso. Posso até entender que devia ter evitado cometer determinado erro. Mas isso não apaga que alguém próximo se aproveitou, ao invés de suportar, como aprendemos a fazer no grupo de amigos. Racionalizando outra vez, posso compreender a existência de problemas emocionais que enviesam em malvadez o comportamento das pessoas. Posso até, em auto-análise, integrar os meus próprios problemas nesta jogada. Mas isso não apaga a ausência de suporte, em momento titubeante, de alguém que, pelo contrário, se aproveitou da tal proximidade para colocar sal na ferida.
A compaixão, até a condescendência (de que falei aqui há tempos), precisam de coragem.
A cobardia analisa e debita o comportamento com menos danos para o umbiguinho sujinho de cotão e mortes morais.
O discurso dos grande homens, da existência de um código de conduta universal, de uma ética Queirosiana, enche a boca de uns quantos tontos que não conseguem sequer ser homens nas coisas comezinhas da vida. Porque é aí que se actua: nas coisas comezinhas. Com uma boa dose de irracionalidade, loucura, emoção, e de alea.
Irracionalizando: Esta (es) merda(s) também dá (ão)sal à existência.
11.23.2012
Um ano
Apesar de perto da iliteracia, sempre esforcei a poesia.
Mas de todas as poesias, nenhuma me rasgou a alma como a Mafalda. Chegada ao mundo, arroxeada... Rimos os dois, sob o sorriso complacente da mãe Carla, na cara do mundo, festejando este nascimento tão belo quanto valente.
11.19.2012
11.06.2012
Um esgoto
A blogosfera regulava-se. Regula-se ainda, mas menos. Menos, porque os "grandes" foram caindo. Reconhecia-se o grupo dos elevados, dos médios, medíocres e os que nem valia a pena visitar. A blogosfera continha tudo mas com uma selecção livre e não combinada que, a esta distância, parece impraticável. Entre a direita e a esquerda havia folclóricos matizes, essencialmente em democracia. Comunistas e fascistas eram raros, até pelo cariz anti-democrático das suas ideias. Mas o espectro político só ganhava com a sua ausência. A blogosfera provou que a diversidade não implica obrigatoriamente extremismo. Eram bonitas e até literariamente enriquecedoras algumas querelas inter-blogues em que no fim o Gato Fedorento ganhava. Por outro lado até eram mais frequentes as vitórias da direita (como seria hoje?).
O FB é o contrário disto. O Facebook tem toda a escória a céu aberto, sem limite e sem advertência para cheiro, sem post amigo a impedir-nos de entrar no lodaçal.
Pedem-se mortes, saúdam-se suicídios, clama-se pela queima das bruxas... As páginas de FB parecem o jornal pessoal de alguns que ao invés de se mostrarem seres impolutos, políticos rectos, pessoas de bem, só reafirmam o carácter fascistóide que sempre os regeu.
O FB é o contrário disto. O Facebook tem toda a escória a céu aberto, sem limite e sem advertência para cheiro, sem post amigo a impedir-nos de entrar no lodaçal.
Pedem-se mortes, saúdam-se suicídios, clama-se pela queima das bruxas... As páginas de FB parecem o jornal pessoal de alguns que ao invés de se mostrarem seres impolutos, políticos rectos, pessoas de bem, só reafirmam o carácter fascistóide que sempre os regeu.
10.17.2012
10.11.2012
Optimismo holista
O meu optimismo radica num irredutível pessimismo.Se sabemos que há coisas que vão por certo correr mal, porquê preocuparmo-nos? No fim, a vida aí está, a ser vivida e a acontecer.
10.01.2012
Estar vivo é o contrário de estar morto
Neste texto do "The Onion" um exercício genial de comédia sem sentido que aprofunda a absurdez da vida. Daí, o texto passa a ter um sentido metafísico, muito provavelmente propositado. Mostra ainda o ridículo de lisonjear a perda de vidas jovens, face a vidas mais velhas, ou outra qualquer. Ridiculariza o pedestal em que se colocam os objectivos de vida do quem morre adolescente, como se não fossem todos os adolescentes estufas de sonhos.
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